Tropa dos Preservadores de útero

Como médico, testemunho diariamente o impacto da histerectomia na vida de inúmeras mulheres.

Observo a frustração e o desespero nos olhos das que se sentem privadas de sua capacidade de gerar uma vida, da sua feminilidade e da sua saúde integral.

Quando o assunto está relacionado a algumas doenças ginecológicas, a retirada do útero é geralmente a “solução” que entra na pauta, algumas vezes, é a primeira opção (ainda que não seja a melhor) por parte dos médicos. 

É por isso, que entro nesta luta pelo direito das mulheres à informação, ao respeito e à escolha consciente sobre seu corpo e sua saúde reprodutiva.

Durante as minhas consultas, entendo o lado das pacientes e sempre ofereço caminhos alternativos, e assim, coloco no fim da lista uma histerectomia. A obtenção do sucesso acontece na maioria dos casos. A histerectomia deve ser a última alternativa, após o esgotamento de todas as outras possibilidades e com o consentimento pleno e informado da mulher. 

É inaceitável que as mulheres sejam submetidas a um procedimento tão radical sem que todos os procedimentos sejam cuidadosamente ponderados e sem que as suas necessidades e os seus desejos sejam priorizados.

Após a cirurgia, as mulheres podem passar por algumas alterações na menstruação. Apesar de não existir mais sangramento menstrual, o ciclo menstrual continua acontecendo porque os hormônios femininos continuam sendo produzidos. Além disso, alterações emocionais, na urina e, em alguns casos mais raros, prisão de ventre podem acontecer. 

Estudos comprovam que a saúde mental da mulher pode ser comprometida após o procedimento. Pacientes que realizam a cirurgia durante o período fértil, posteriormente, ficam emocionalmente instáveis com o problema da infertilidade, desencadeando a depressão. 

Há saídas alternativas e estou aqui para desmistificar que a primeira solução deve ser a retirada do útero e mostrar outros tipos de tratamento para cada doença. 

A Endometriose, por exemplo, é caracterizada como uma doença crônica e não existe cura. Contudo, existem tratamentos que podem melhorar a qualidade de vida da mulher, como, por exemplo: uso contínuo de pílulas, anticoncepcionais, DIU, progestagênios isolados e hormônios injetáveis. Atualmente, o procedimento mais indicado para o tratamento das lesões é a laparoscopia por ser minimamente invasiva.

Outro caso é o Mioma uterino, na doença o tratamento pode variar de acordo com os sintomas da paciente e o seu objetivo para engravidar. Há três métodos neste caso, a observação que acontece quando o mioma não causa sintomas, então é preciso apenas observar com diagnóstico por imagem frequentemente, medicamentos que devem ser usados para aliviar dores e sangramentos, e por fim, a cirurgia, que deve ser realizada apenas em casos mais graves da doença ou casos que prejudique a fertilidade.

Já o Cisto de Ovário é bastante comum entre as mulheres e na maioria das vezes desaparece sozinho em algumas semanas, porém, existem casos que precisam ser tratados por meio de anticoncepcionais e acompanhamento médico.

E por fim, vamos falar da Adenomiose, em que o tratamento da doença vai variar de acordo com cada situação, dentre os tratamentos estão os medicamentos e a cirurgia para remover o excesso de tecido do útero.

Por isso, é preciso tomar muito cuidado quando o assunto é histerectomia, questionar o seu médico sobre os outros tipos de tratamento e como lidar com cada caso é fundamental. A retirada do útero deve ser a última alternativa e só precisa ser realizada após algumas tentativas paralelas. 

Dr. Thiers Soares